Em ordem de desordem – Parte 1

A organização de caracteres por computadores é um assunto que sempre é deixado para segundo plano ou mesmo evitado. E no caso, não faço exceção a esta regra.
Estive trabalhando em rotinas de tratamento de texto e, mais uma vez, me deparei com os sórdidos detalhes de ordenação. O Fred publicou alguns posts sobre o assunto mas confesso que não digeri muito bem o tema. Preciso sempre de uma regra prática para entender o assunto. Abordar o detalhe não me ajuda muito e se torna enfadonho ao ter que ficar lembrando da parafernália utilizada para tratar diferentes idiomas.
Portanto decidi compilar alguns pontos chaves, que devem ser levados em conta antes de embrenharmos por caracteres, charsets, ordenação et al.
A palavra inglesa COLLATE sempre onipresente nestes assuntos e eu nunca parei para entender o que ela diz. Não é uma palavra homógrafa ou homófona, como no caso de “alphabetic” que qualquer ser leitor/falante de português, medianamente culto, consegue associar.

Sem mais suspense: COLLATE quer dizer, neste contexto: ordem alfabética!

Pronto, visto aqui e traduzido livremente como: montar ou ordenar em sequência numérica ou lógica associada. Caramba, no inglês tem um verbo que resume melhor do que a velha instrução da Tia do Jardim, onde ela dizia: “coloque em ordem alfabética”.
Gosto do pragmatismo do inglês e, aliás, odeio acentuação.
Deveriam criar uma nova reforma ortográfica e acabar com esta frescura.
O “Ç”, por exemplo, é um “C” com som de “S”, por isto tem um “s” miudinho embaixo. Coisa de antigos fidalgos “afrescalhados”, o Til parece ser um “n” sobre a letra “A” (e demais vogais). Tudo para evitar escrever “SS” ou “AN” (e demais gemidos). Grande economia, sendo que na época que definiram isto nem existia computador, então para que economizar alguns pingos de tinta?
A justificativa talvez seja “dar charme” à escrita. Certo, então deveriam escrever ideogramas, como os orientais.
E por aí vai… Se acabaram com o trema, por que não fizeram o mesmo com o resto?
E o meu protesto final: acentuação é coisa de preguiçoso e funciona bem no papel mas não nos nossos malditos teclados ABNT ou aplicativos, concebidos em lingua inglesa, “aportuguesados”. Claro, no final tem sempre que existir uma “gambiarra”, para nós os “tribais” poderemos usar computador . E o pior, é que quem deveria regular isto para ajudar os luso-falantes, embarca na onda da “ajeitadinha brasileira”. Tente enviar um arquivo acentuado para o Governo, naqueles lindos aplicativos “mal-cheirosos” em “javacilos”, “delphreaks”, “VB” (acho que isto é um acrônimo para “Vesgo” e “Burro”) via “lay-out”, ou mesmo lidar com as “perólas de programação” e sites existentes no mercado brazuca (oh dó!). Aí você vai entender do que eu estou falando.

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Um comentário sobre “Em ordem de desordem – Parte 1

  1. Um dos problemas de “reformas” ortográficas, como bem apontado pelo filósofo Olavo de Carvalho, é que elas tendem a destruir a identidade histórica. Ou seja, quanto mais “reformas” existirem para acomodarem desejos de simplificação, menos a literatura mais antiga torna-se legível. A França, por exemplo, teve sua última reforma no século XVII… No Brasil, acabaram com acentos diferenciais (“para, pára e pará” não são mais diferenciáveis na leitura, assim como “por e pôr”), o que tem o potencial de causar grande confusão (ou seria “confusano”, segundo sua proposta?).

    Algumas coisinhas, com certeza, podem ser eliminadas: crase e trema são exemplos de superfluos.

    Também sou fã da lingua inglesa. Por tudo o que você falou e por outros detalhes: Em inglês é possível e corriqueiro “verbalizar” substantivos sem problemas… “Google It” usa “Google” como verbo… “Please, email me” (masma coisa com email – que aliás, perdeu o hífen nos últimos anos). “Zipped file” (“zipado”, que tornou-se verbo aqui no Brasil – procure no Aurélio!) é outro exemplo. Além disso, o uso de metáforas para construir palavras é muito interessante (é o caso de “screwdriver”, diretor de torção ou conhecida por aqui como “chave de fenda”).

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