Hello, FreeBSD!

Ando bem satisfeito com o LMDE LinuxMint e sua estabilidade. Sempre prontinho e alinhado com as minhas necessidades de performance em um laptop vintage + um pequeno SSD (120Gb).

Esta máquina não esquenta mais nem me deixa esquentar, esperando por um novo pacote de atualizações que vem de 6 em 6 meses ou de 3 em 3 anos.

Hoje, eu retirei o tal SSD de dentro do laptop e coloquei-o no meu adaptador de usb e o sistema simplesmente iniciou normalmente sem nem me informar que o disco tinha mudado de interno para plugado.

Mas por que eu precisaria “tirar” o disco de dentro do laptop e colocá-lo na ponta de um fio, na porta usb?

FreeBSD é a resposta. Instalar o FreeBSD em outro HD.

Ouvi dizer que o FreeBSD é mais performático e resolvi pesquisar um pouco. Primeiro instalei numa máquina virtual (virtualbox), depois que vi rodando, animei a instalar num disco real pois começei a ler sobre ele descobri muitos pontos em comuns com outras distros de GNU/Linux que já usei, principalmente com a filosofia de liberação de releases do Debian: CURRENT, STABLE e TESTING.

A primeira surpresa foi a pergunta que me fiz: por que uso GNU/Linux? Em princípio porque eu usei o Solaris e antes e não tinha dinheiro para comprar um equipamento que rodasse Unix num 486, por volta de 95. E foi por isto que eu descobri o mundo do Free/Open Source. Mas me dei conta que achei o GNU/Linux e simplesmente parei de procurar.

Outra foi ao saber da diferença entre usuários de FreeBSD e usuários de GNU/Linux: os primeiros são oriundos do Unix tentando criar um Unix num PC e ou outros são oriundos do PC tentando criar um Unix.

Isto me fez perceber que, apesar de ter sempre lido e ouvido a história do Unix, sempre usei GNU/Linux. E nunca pus a mão na massa para persistir no Unix no meu PC. Aprendi muito e devo muito ao mundo GNU/Linux.

Mas, depois de ler este artigo notei que estava perdendo a Sala Vip desta festa.

O FreeBSD está na base de praticamente todos os unices para PCs, “incluindo” o próprio GNU/Linux, muito antes do GNU/Linux. Ora se o meu LinuxMint, que é baseado no estabilíssimo debian é tão bom, imaginei como seria a estabilidade do FreeBSD.

E aí começa o meu interesse neste sistema: estabilidade. Boa parte diste interesse vem de uma base única que segue sendo atualizada – sem os “frufrus” de atualizações fodásticas vistas diáriamente nos sites oficiais e fóruns.

Há também um sistema muito bom de arquivos: o ZFS. Que, dizem, ser mais performático e seguro do que o ext4. Será?

E tem o problema da GPL V3 do GCC. O FreeBSD está migrando para o LLVM pois a V3 restringe as liçencas a ponto de não poderem ser utilizadas em produtos comerciais (o que na minha opinião, reduz a liberdade), ao contrário da liçenca BSD que prima por três regras básicas para seu uso:

– Não proclame que você criou o código do FreeBSD
– Não processe o pessoal do FreeBSD caso ele não funcione ou corrompa algo
– Não remova ou modifique a licença original

Bem diferentes das diversas “restrições do GPL” que basicamente existe para que o software GNU nao seja comercializado, mas distribuído livremente.

Independente destas políticas (elas não me restringem, pois sequer as entendo direito) o que gosto é de me manter em linha com produtos com os quais possa trabalhar sem ter que ficar “comprando” tudo de novo à cada nova versão ou que me proíba de “vender” algo caso eu crie.

Infelizmente esta realidade de “não comprar novos produtos” foi, de certa forma inserida nos novos “linuces” que já vi, onde sempre estão, como no Windows, preocupados com atualizações, versões mais modernas em intervalos curtos de tempo, etc. E os desktops cada vez mais carregados e cheios de apps e firúlas, a.k.a. bells and whistles. Sendo assim sempre busco versões estáveis que me permitam usar em vez de ficar atualizando um sistema.

Outra diferença que me saltou aos olhos foi questão da distribuição centralizada de pacotes. No GNU/Linux – mesmo com a filosofia do Bazaar – estamos sempre dependentes de – Cathedrals – para ter conforto. No meu caso a catedral sempre foi o Debian! Nunca entendi o “trocentilhão” de distros proliferadas… Sempre um Ubuntu, Suse ou Redhat, estão no “centro” e porquê? Simples: todos nós dependemos de dinheiro e as grandes companhias estão por detrás destas distros, prevalecendo as que tem mais recursos. Isto é óbvio.

Então… Se o FreeBSD teve sua origem em uma, a AT&T, que não podia comercializar software, por isso delegou para as universidades, porque não entender que as demais companhias dão incentivos e “mantêm” estas pesquisas vivas até hoje?

A maior surpresa então, finalmente, foi perceber que eu estou usando – quando instalo o FreeBSD, basicamente o mesmo código da Apple, mais precisamente o que é usado no OS X que é onde se encontra o kernel e, sim, o GNU/Linux não é e nem nunca se proclamou como um sistema operacional, mas como um kernel. O sistema operacional se formou como produtos GNU, pois o sistema tem que ter ferramentas e utilitários, afinal ninguém quer um kernel só pelo kernel. Mas o FreeBSD tem também estas ferramentas e obviamente integrada ao kernel, e desenvolvida pelo mesmo grupo. Além de possibilitar o uso dos produtos GNU!

No GNU/Linux, o kernel é de um “cara”… O resto, vem de várias partes e que normalmente estão em conflito: isto se assemelha a tanger um bando de gatos e querer que cheguem a um lugar definido. O FreeBSD, também tem as brigas de cachorro grande, mas a comunidade parece-me alinhada, como na distro que uso, na verdade cultuo, o Debian. A coisa fica mais “certinha” quando há centralização. Me desculpe os bazares, mas neste caso, me sinto mais confortável dentro da catedral, longe da anarquia.

A mola mestra de uma disto ou sistema é o seu compilador. Até a versão 2 do GPL era amplamente usado pelo FreeBSD, e desde 2010 está sendo eliminado aos poucos em detrimento ao LLVM/CLANG (nem sabia que isto existia, até ontem) que me pareceu algo muito interessante. É um compilador que trabalha para gerar código intermediário para que este código seja compilado no computador final… (Cabe pesquisa aqui.)

Eu sei que dá trabalho e toma tempo compilar, mas a performance e estabilidade são os frutos nobres destes investimentos. Quando usei o Gentoo em 2004 eu percebi isto claramente, mas esbarrei no meu uso de tempo e falta de conhecimento. Hoje já tenho um bom GNU/Linux rodando e um monte de computadores velhos, loucos para serem úteis: resultado, acabei de compilar o meu xorg num velho Desktop Dell o que levou ceca de 3 horas. Zero erro!

Agora me sinto “voltando para casa”, para mais perto do “culto” ao Unix.  Depois de anos trabalhando, satisfeito com o GNU/Linux. E sim, vou manter o meu LMDE Linux Mint pois é maravilhoso e indispensável (por enquanto) como o Windows foi, para mim,  algum dia, mas vou me esforçar em buscar o mesmo conforto, a partir de agora, no FreeBSD.

Dá trabalho, muito trabalho revisar conceitos – mas depois de ler o manual e começar a ler o velho livro de Michael W. Lucas – Absolute FreeBSD, percebo que o meu conhecimento deve se concentrar no FreeBSD de agora em diante. Afinal, se você for fabricar comida para cachorro, saiba que sempre terá que provar seu produto.

Anúncios